Djiizi : A Nova Sensação do Norte

Djiizi revela a sua trajetória, desafios e visão da música, numa conversa autêntica que mostra a realidade de um artista do norte de Moçambique.
Djiizi

DJIIZI: ENTRE PRINCÍPIOS E PROPÓSITO

No norte de Moçambique, Djiizi tem vindo a afirmar-se no cenário musical com uma identidade construída a partir da sua vivência e da forma como observa a sociedade.

Djiizi já não é apenás um nome em crescimento — é uma presença que se impõe. Do norte de Moçambique para diferentes pontos do país e até na diáspora, o artista tem vindo a conquistar espaço de forma consistente, mesmo entre aqueles que ainda hesitam em reconhecer o seu impacto.

A sua música carrega uma identidade própria. Entre o moderno e o tradicional, Djiizi constrói um som que dialoga com a realidade da sociedade, incorporando batidas e elementos culturais que refletem aquilo que é nosso. Não se trata apenás de fazer música, mas de traduzir vivências em ritmo, criando uma ligação directa com quem escuta.
E talvez seja exactamente isso que torna difícil ignorá-lo.

Quem é Djiizi fora da arena profissional?

Entrevista com Djiizi4
Em conversa com a Revista Celebridades Online (MZ), Djiizi afirma que, fora da música, define-se a partir dos princípios que carrega.

Segundo afirma, esses princípios nascem dos ensinamentos que recebeu ao longo da vida — desde a educação em casa até às experiências que foi acumulando na convivência com os outros. Não são apenás ideias, mas uma base concreta que orienta a sua forma de agir.

Existe uma preocupação clara em manter o respeito, preservar valores e posicionar-se de forma consciente dentro da sociedade. Essa forma de estar não muda fora dos palcos, o que mostra que a sua identidade vai além da música.


Por que o artista escolheu a música?

A relação com a música não surge como uma decisão planeada.

O artista afirma que foi a música que o escolheu. Essa ligação aconteceu de forma natural, sem pressão e sem um momento exacto que marcasse o início como uma escolha racional.

Desde que começou, assumiu esse caminho com entrega. A música deixou de ser apenas uma possibilidade e passou a fazer parte da sua vida, algo que ele acolheu e decidiu seguir.


Quais foram as dificuldades no início da carreira do artista?

No início da sua carreira, o artista enfrentou dificuldades ligadas à "qualidade das suas músicas".

Segundo afirma, mesmo já a produzir, sentia que aquilo que fazia ainda não correspondia ao nível que desejava. Havia uma sensação constante de que faltava qualidade, de que o som ainda não estava completo.

Esse desconforto não o fez parar. Pelo contrário, levou-o a insistir mais no processo, a continuar a trabalhar e a procurar melhorar.

Com o tempo, afirma ter conseguido alcançar essa qualidade que tanto procurava. E não só: nesse percurso, encontrou também uma direção e um propósito dentro da música — algo que no início ainda não estava claro.


 Como é que a família e os amigos reagiram à decisão do artista?

Num contexto onde muitas vezes se espera seguir caminhos mais tradicionais, a escolha pela música pode gerar diferentes reações.

No caso do artista, a família já tinha ligação com a arte musical e outras formas de expressão artística, o que fez com que essa decisão não fosse um problema dentro de casa. Havia uma base de compreensão em relação ao seu caminho.

Já entre amigos e outras pessoas do meio social, a reação foi diferente. Nem todos aceitaram ou compreenderam essa escolha.

Ainda assim, o artista conseguiu construir o seu espaço, alcançando um nível de aceitação que lhe permitiu continuar com mais confiança.


Será que alguma vez o artista pensou em desistir?

Entrevista com Djiizi1
Ao longo do seu percurso, a ideia de desistir nunca se tornou uma decisão concreta.

O artista afirma que nunca pensou em abandonar a música. Mesmo diante das dificuldades iniciais, manteve-se firme naquilo que acreditava.

Ainda assim, houve espaço para refletir sobre possibilidades dentro do mesmo universo. Em determinado momento, chegou a imaginar um plano B: "caso não conseguisse atingir o seu objectivo como cantor, poderia continuar ligado à música como guitarrista, atuando em bares e restaurantes."

Essa visão mostra que, mais do que alcançar um estatuto específico, o mais importante sempre foi continuar dentro da música.


De onde vem a inspiração do artista?

A inspiração do artista nasce diretamente da sociedade e do seu dia-a-dia.

Segundo afirma, observa aquilo que acontece à sua volta e transforma essas vivências em música. Situações comuns, momentos inesperados e até dificuldades enfrentadas no cotidiano tornam-se pontos de partida para criação.

O próprio artista dá a entender que qualquer situação pode ser transformada em música, desde que tenha significado. Um simples acontecimento pode ganhar força e tornar-se tema de uma composição.


Como o artista transforma vivências em música?

Existe um processo mais íntimo por trás dessa criação.

O artista explica que nem tudo o que sente consegue expressar numa conversa normal. Muitas vezes, mesmo estando com outras pessoas, há ideias e emoções que não consegue transmitir.

É quando está sozinho que essas ideias começam a ganhar forma.

Nesse momento, consegue organizar pensamentos, interpretar aquilo que viveu, viu, ouviu, sentiu e transformar essas experiências em música. A criação surge desse espaço mais silencioso, onde consegue aceder melhor ao que sente.

A música torna-se, assim, um meio de expressão mais completo — um lugar onde consegue dizer aquilo que, no dia-a-dia, não consegue explicar directamente.



 Qual é a visão do artista sobre o sucesso?

O artista demonstra ter uma relação consciente com o sucesso.

Segundo explica, foi preparando a sua mente para esse caminho, acreditando que o seu trabalho iria encontrar pessoas que se identificassem com as suas músicas.

Existe uma expectativa construída, mas também uma noção clara de que o tempo influencia esse processo. Quando o reconhecimento chega, ganha um valor especial, sobretudo por tudo aquilo que foi vivido antes.

Ao mesmo tempo, o artista mantém uma visão realista:

 “Ninguém sabe qual é o limite.”

Essa forma de pensar leva-o a valorizar não apenas o resultado, mas também o percurso:

> “Tem que aprender a gostar do processo.”_Falou Djiizi na entrevista...

 De onde vem o nome artístico do artista?


O nome artístico do artista surge de uma construção simples, mas carregada de contexto.

Segundo explica, o nome não tem um significado específico ou simbólico. Trata-se de uma junção de nomes usados no bairro, organizados até chegar à forma atual.

Não foi pensado como algo profundo, mas acabou por se tornar a identidade que hoje o representa enquanto artista.

 O artista trabalha sozinho ou conta com apoio na sua carreira?

O percurso do artista não é feito de forma isolada.
Segundo afirma, trabalha com uma produtora chamada Favela Beats, que tem desempenhado um papel importante no desenvolvimento do seu trabalho.
Foi, inclusive, após essa ligação que começou a sentir com mais força o impacto do seu crescimento e do seu reconhecimento. Esse apoio trouxe não apenas estrutura, mas também uma orientação mais sólida dentro da música.

 Que estilo musical define o trabalho do artista?

O artista não começa a criar música com um estilo já definido.

Segundo afirma, o processo começa pela melodia e pela ideia que quer transmitir. É a partir daí que a música ganha forma, muitas vezes já no estúdio, com o apoio do produtor.

Ou seja, não é ele quem decide antecipadamente se a música será kizomba, afrobeat ou outro estilo. A própria música, através da melodia, acaba por indicar o caminho.

Essa liberdade permite-lhe transitar por diferentes sonoridades. O artista reconhece que já explorou vários estilos ao longo do seu percurso.

Ainda assim, destaca que está a desenvolver algo próprio.

Trata-se de um estilo que vem construindo e ao qual dá o nome de "Afro-tufo" — uma identidade musical sua, criada a partir da sua forma de sentir e fazer música.
Entrevista com Djiizi3

      
Um registo leve de um encontro marcado por ideias e 
identidade, onde o Afro-tufo surge como a nova aposta 
sonora do artista.

Existe alguma música que o artista prefere mais do que as outras?

O artista afirma que não tem uma única música favorita, destacando que gosta de todas as músicas que já criou.

Ainda assim, reconhece que existem algumas que escuta com mais frequência, o que acaba por revelar uma ligação mais forte em determinados momentos.
Entre essas, destaca duas faixas em particular: “Hatia” e “Minha Escolha”, músicas que têm feito parte das suas preferências recentes.
Essa relação mostra que, embora valorize todo o seu trabalho, existem fases em que certas músicas ganham mais significado dentro do seu próprio percurso.

1. Hatia.                                              


2. Minha Escolha.                            
 

Como o artista vê o mercado musical em Moçambique?

Entrevista com Djiizi2
A visão do artista sobre o mercado é directa e realista.

Segundo afirma, é necessário compreender o contexto em que se está inserido. O mercado moçambicano tem as suas próprias limitações e não pode ser comparado diretamente com outros países, como Estados Unidos da América.

Como explica:
Nos EUA, a música pode te tornar milionário. Em Moçambique isso é pouco provável, mas não  mata a verdade de que a música dá dinheiro mesmo no nosso país, só precisa-se estudar como viver da música em Moçambique, do mesmo jeito que estudamos como fazer música boa em Moçambique.
 Moçambique é Moçambique. Do mesmo jeito que EUA é EUA e do mesmo jeito que o dólar é maior que o metical”

E reforça essa ideia com uma imagem clara:
> “Não podes tirar um litro e meio de água, de uma garrafa de meio litro.”
Para o artista, é fundamental aceitar essa realidade e trabalhar dentro dessas condições, procurando formas inteligentes de crescer e evoluir.

O artista afirma que é possível viver da música em Moçambique, desde que haja inteligência e estudo. No seu caso, vive da música e, a partir dela, cria outros negócios. Por isso, não a encara como um hobby, mas como algo sério — e diz sentir-se desconfortável quando a música é tratada dessa forma.

 Que conselho o artista deixa para os jovens que querem seguir a música?

O artista deixa uma mensagem baseada na persistência e na consciência.

Segundo afirma, nem sempre as coisas acontecem à primeira tentativa. É preciso procurar caminhos, testar possibilidades e continuar até encontrar um ponto de satisfação.

O artista chama atenção para um erro comum entre jovens no início da carreira: a busca imediata por parcerias com artistas já consagrados.

Segundo afirma, fazer uma música com um artista famoso não garante sucesso automático. Muitas vezes, os jovens acreditam que o reconhecimento virá apenas por associação, o que nem sempre acontece.

Explica ainda que artistas consolidados analisam cuidadosamente antes de aceitar uma colaboração. Procuram perceber o valor, a identidade e aquilo que podem aproveitar do outro artista, evitando associações que possam comprometer o trabalho que já construíram.

Por isso, reforça a importância de construir primeiro uma base sólida. No seu caso, afirma que só começou a fazer colaborações depois de já ter alcançado um certo nível de reconhecimento.
Deixa ainda claro que, quando um artista recusa um featuring, nem sempre é algo pessoal, mas sim uma decisão profissional.

Também destaca a importância de criar com naturalidade, sem depender da validação dos outros ou tentar competir diretamente com outros artistas.

Para ele, o mais importante está no processo:

> “Tem que aprender a gostar do processo.”

Onde acompanhar o trabalho do artista?

Para quem quiser acompanhar mais de perto o seu trabalho, o artista está presente nas principais plataformas digitais, onde partilha os seus conteúdos e interage com o público:

•Facebook, Instagram, TikTok, YouTube: Djiizi Oficial.

Através dessas páginas, é possível acompanhar lançamentos, explorar o seu repertório e também entrar em contacto para apresentações e outros projetos.


Mas fica a questão:

 Estamos diante de um nome que já se afirmou… ou ainda há quem não esteja pronto para reconhecer isso?

 O público já percebe o impacto que ele está a ter… ou ainda está a subestimar?

Até onde pode chegar um artista que mistura tradição, realidade e identidade num som próprio?

As respostas ficam abertas.