Isália Cardoso e Apolíneo: Mulher, Empreendedora e Líder de uma Marca que Conquista Corações
Isália Cardoso, jovem empreendedora de Moçambique, fundou Apolíneo, unindo arte, moda artesanal e inspiração para mulheres.
Onde a arte começou
Isália Cardoso é uma jovem de 26 anos de idade, natural de Nampula e está a concluir a formação em Arquitetura e Planeamento Físico. Falta pouco para o título oficial, mas o modo como observa, pensa e desenha o espaço já revela uma arquiteta formada pela prática, pela sensibilidade e pela visão.
A sua ligação com a criação nasceu cedo e nasceu em casa. Com o pai, artista gráfico, ela desenhava e criava banda desenhada, vivia rodeada de imagens, traços e referências culturais. Museus faziam parte do percurso, não como obrigação, mas como descoberta. Foi nesse ambiente que Isália aprendeu a olhar, a interpretar formas e a entender que a arte também é uma linguagem.
Nada foi imposto. O pai não pressionou, orientou. Mostrou caminhos e deixou que o interesse falasse mais alto. E falou. Isália cresceu entre o desenho, a observação e a liberdade criativa — bases que hoje se refletem tanto na sua expressão artística como na arquitetura que escolheu seguir.
A mãe teve outro papel igualmente decisivo: ouvir, aconselhar e apoiar. Um apoio constante, firme, sem condicionamentos. Uma presença que fortalece, não controla.
Fora do núcleo familiar, surgiram os julgamentos. A sociedade questionou escolhas, sobretudo por ser mulher num universo ainda marcado por expectativas rígidas. Arte, banda desenhada, planeamento físico — para muitos, caminhos improváveis. Para Isália, sempre foram naturais.
E foi nesse contraste — entre incentivo em casa e resistência fora — que começou a formar-se a mulher criativa, consciente e determinada que hoje constrói a sua própria marca.
Quando o talento encontra a necessidade
O empreendedorismo entrou cedo na vida de Isália Cardoso, ainda durante a faculdade. Foi no meio das exigências do curso de Arquitetura e Planeamento Físico que surgiu a necessidade de criar algo próprio. Trata-se de uma formação complexa, dispendiosa e altamente exigente em tempo e dedicação. Na sua turma, a realidade era clara: poucas mulheres e muitos homens, num ambiente que exige resistência constante.
Conciliar os estudos com qualquer outra atividade não era simples. Isália passava o dia entre aulas e projetos académicos e, à noite, continuava a trabalhar para cumprir as exigências do curso. Mesmo assim, decidiu empreender.
A ligação com o artesanato já existia desde 2013, mas foi em 2020 que a ideia de transformar essa paixão num negócio ganhou forma. O curso exigia investimentos constantes em materiais, e embora os pais fizessem esse esforço com satisfação, Isália sentiu a necessidade de contribuir financeiramente. Queria ajudar no pagamento das propinas e de pequenas despesas associadas à formação.
Foi nesse contexto que nasceu a Isa Studio , uma marca de design e moda artesanal construída com disciplina e sacrifício. Para dar conta de tudo, Isália acordava às quatro ou cinco da manhã para produzir as suas peças e, depois, seguia para a faculdade. Era a única forma de conciliar o estudo com o novo empreendimento.
Empreender, para Isália, não foi um capricho nem uma experiência passageira. Foi uma decisão prática, consciente e madura. Um passo dado para aliviar o esforço dos pais e, ao mesmo tempo, construir algo próprio, com identidade e propósito.
Do primeiro par ao valor percebido
Segundo Isália, o início da Isa Studio foi modesto e extremamente concreto. Tudo começou com seis pares de chinelos, feitos à mão e customizados com pérolas. Era esse o produto inicial. Nada mais.
A divulgação veio, primeiro, da internet. Mesmo com poucos recursos, Isália percebeu cedo que não bastava produzir — era preciso agregar valor. Começou a cuidar da apresentação, das embalagens, da forma como o produto era mostrado. No início, não foi fácil. A aceitação era lenta e o reconhecimento quase inexistente.
Foi então que as feiras se tornaram decisivas. Isália passou a marcar presença em praticamente todas as feiras de Nampula, em 2020. Era ali que mostrava o seu trabalho, observava reações e aprendia com o público. No começo, era vista apenas como “a menina dos chinelos”. Um rótulo que a incomodava — não por vaidade, mas porque sentia que o seu trabalho podia ir mais longe.
Esse desconforto tornou-se motor de evolução. Para Isália, o produto precisava ser mais do que funcional; precisava ter identidade e propósito. Foi nas feiras que o negócio ganhou impulso e onde ela percebeu que tinha de elevar o nível do que oferecia.
Com o crescimento gradual, surgiu uma nova ideia: expandir para as bolsas artesanais. Isália juntou algum dinheiro, comprou uma máquina de costura e aprendeu praticamente tudo sozinha. O processo foi direto: pesquisa, prática e repetição.
O processo criativo (inspiração)
Quando questionada sobre o seu processo criativo, Isália é clara:
_"...a pesquisa é a base de tudo"...(disse Isália). Muito do que sabe aprendeu na internet — desde técnicas de costura até montagem de peças. O seu “curso” de corte e costura foi online. Mas a pesquisa não se limitou ao digital. Observou o mercado real, os hábitos das pessoas e o contexto cultural.
Ela pesquisa para entender o que está em alta, o que as pessoas procuram e o que faz sentido dentro da nossa cultura. A criação nasce exatamente desse cruzamento: informação, contexto e identidade local.
Aceleração de negócios e a transformação da marca
Após um período de crescimento nos mercados locais e feiras, Isália decidiu participar de programas de aceleração e incubação de negócios. No início, enfrentou refusos e rejeições: os comitês avaliadores consideraram que ela ainda não dominava plenamente o seu negócio e a identidade empresarial não estava suficientemente estruturada.
Determinada a fazer acontecer, Isália investiu cerca de dois meses a investigar e a consolidar o seu projeto. Nesse período, trabalhou na construção de uma identidade empresarial forte, montou um portefólio organizado e aprofundou o entendimento sobre o seu produto e público‑alvo. Quando voltou a submeter a sua candidatura, o resultado foi diferente: foi aceite nos programas de aceleração e incubação.
Dentro desses programas, teve acesso a formação prática sobre gestão de negócios, precificação, estratégia de mercado e financiamento, além de oportunidades para conectar‑se com outros empreendedores. Foi um momento de aprendizagem acelerada, que ampliou as suas capacidades e a sua visão enquanto empreendedora.
Com essa nova bagagem e confiança, Isália sentiu que era hora de reforçar a identidade da sua marca. Assim surgiu a transição de Isa Studio para "Apolíneo". Segundo ela, Apolíneo foi escolhido por representar arte, beleza e harmonia — conceitos intimamente ligados ao seu trabalho criativo e à forma como vê o design e a estética.
O nome Apolíneo tem origem no latim Apollinarius e está associado à figura de Apolo, deus da mitologia grega relacionado à arte, música, luz, harmonia e beleza. Essa ligação simbólica confere profundidade à marca, reforçando a ligação entre criação estética e significado cultural e histórico.
Empreender sendo mulher hoje
Quando questionada sobre o papel de mulheres empreendedoras nos dias de hoje, Isália é directa:_a sociedade está a abrir mais espaço e oportunidades. Existem programas de apoio, incubadoras e iniciativas voltadas para jovens mulheres que decidem criar o seu próprio negócio. A aceitação é maior e as oportunidades são reais, permitindo que elas desenvolvam projetos de forma mais segura e estruturada.
Para Isália, empreender como mulher significa compreender essas possibilidades e, ao mesmo tempo, manter a humildade e o foco. Não se trata de competir com ninguém, mas de aproveitar os recursos disponíveis, aprender e construir gradualmente.
Marcos no percurso
O percurso de Isália é marcado por conquistas e reconhecimento que consolidaram a sua carreira. Participou de diversos concursos, como Jovens Empreendedores e Jovem Criativo, competições que valorizaram os seus projetos e deram visibilidade ao seu trabalho. Esses momentos representaram não apenas ganhos financeiros, mas também a prova concreta da relevância do seu trabalho.
Hoje, Isália não trabalha sozinha. Já emprega jovens, formando uma pequena equipa, e dedica-se também a aconselhar outros empreendedores, especialmente mulheres. Entre as lições que partilha, há uma que repete com frequência, inspirada pelo pai:
“A vaidade vem com os bolsos rotos.”
Para ela, essa frase resume a importância da humildade, do trabalho consistente e da paciência. Isália aconselha os jovens a começarem de baixo, degrau por degrau, construindo o sucesso com base sólida, em vez de se deixarem levar pela pressa ou pela vaidade. Quem se apressa sem fundamento arrisca passar fome, vergonha e desistir antes de atingir os seus objetivos.
Nota final
Esperamos que a trajetória de vida de Isália Cardoso tenha te inspirado, caro leitor, mostrando o que é possível alcançar com talento, dedicação e coragem.
Gostaríamos de lançar algumas questões para reflexão:
- Que lições da história de Isália mais te tocaram?
- Quais desafios tu já enfrentaste ou imaginas enfrentar ao iniciar um projeto próprio?
- Como vês o papel das mulheres empreendedoras na tua comunidade?
Partilha a tua opinião nos comentários e ajuda-nos a construir um espaço de inspiração e troca de experiências.
Contatos e redes sociais
Para conhecer mais o trabalho de Isália Cardoso e da marca Apolíneo, segue-se abaixo os canais oficiais:
- Instagram da marca: @apolíneo.mz
- Instagram pessoal: Isália Cardoso
- Facebook da marca: Apolíneo
- Contacto direto da marca (Moçambique): +258 84 117 1251
Conversa completa com Isália Cardoso:
Descrição do audiovisual
Este registo audiovisual apresenta uma conversa directa com Isália Cardoso, realizada no âmbito da produção editorial da revista.As informações, dados e declarações presentes neste vídeo serviram de base factual para a construção do artigo publicado, sendo fornecidos pela própria entrevistada, de forma consciente e voluntária.O conteúdo reflecte factos reais, conforme relatados pela protagonista.Ficha técnica (resumo)
Entrevistada: Isália CardosoFormato: Conversa / Entrevista audiovisualDuração: 36minProdução editorial: Revista CelebridadesFinalidade: Apoio factual e contextual ao artigo publicado


Participar na conversa