Os Irmãos Maricoa — A Música Moçambicana em Ascensão
Messias Maricoa e Filomena Maricoa
Há histórias que não se contam com números. Contam‑se com sentimento, com memória e com aquilo que fica no peito depois da música terminar. A história de Filomena Maricoa e Messias Maricoa é uma dessas. Não é apenas uma história de sucesso artístico. É uma história de coragem, de persistência e de ascensão da música moçambicana num tempo em que quase ninguém acreditava que isso fosse possível.
Quando sair parecia impossível
Houve um tempo em que fazer música em Moçambique — especialmente fora de Maputo e fora dos grandes centros — era quase um acto de resistência. Havia talento, havia vontade, mas faltavam caminhos. O Norte do país raramente era visto como ponto de partida para carreiras internacionais. E foi exatamente desse ponto do país que nasceram dois irmãos que decidiram contrariar o destino previsível.
Filomena e Messias Maricoa começaram sem garantias, sem promessas e sem atalhos. Começaram com aquilo que tinham: voz, emoção e verdade. Num período em que as pistas de dança estavam dominadas por kizombas estrangeiras, eles ousaram acreditar que a música feita em Moçambique também podia tocar fundo, emocionar e viajar longe.
Filomena Maricoa: a voz que aprendeu cedo a sentir
Filomena começou a cantar ainda criança. Não foi num grande palco, nem com grandes meios. Foi em eventos simples, em peças de teatro organizadas pelo pai, em momentos onde a música era mais expressão do que espetáculo. Ali, cedo, aprendeu algo essencial: cantar é sentir antes de mostrar.
Com o passar do tempo, essa sensibilidade transformou‑se em identidade artística. A sua voz — doce, firme e carregada de emoção — passou a representar muitas histórias não contadas. Histórias de amor, de espera, de dor e de esperança. Filomena não cantava apenas para entreter; cantava para acompanhar vidas.
Quando o reconhecimento começou a chegar, veio como consequência natural. A sua música atravessou fronteiras, encontrou público em Angola, Portugal e na diáspora africana, mas nunca perdeu o chão. Continuou a carregar a essência de onde veio: simplicidade, sentimento e verdade.
Lembrar é viver!
Messias Maricoa: quando a palavra encontrou o coração
Messias começou noutro território musical. Veio do Rap, da palavra crua, da observação da realidade. Essa base deu‑lhe consciência artística e força narrativa. Mas foi quando se aproximou da música romântica — influenciado pela irmã — que encontrou o espaço onde a sua arte podia tocar mais fundo.
O momento decisivo chegou quando poucos acreditavam que fosse possível sair. “Nhanhado” não foi apenas uma música de sucesso. Foi uma porta aberta. Uma confirmação de que a música moçambicana podia ecoar em palcos europeus, emocionar públicos distantes e carregar consigo o nome do país.
Messias passou a representar muitos jovens que sonhavam, mas não viam exemplos. Mostrou que era possível sair do Norte de Moçambique e chegar longe, sem negar raízes, sem perder identidade.
Este foi um tempo inesquecível!
Dois irmãos, uma mesma missão
O mais poderoso nesta história não é apenas o percurso individual de cada um, mas o que eles representam juntos. Os irmãos Maricoa simbolizam um momento de viragem. Um tempo em que a música moçambicana deixou de apenas consumir o que vinha de fora e passou a afirmar‑se com voz própria.
Eles surgiram quando sair era difícil. Cresceram quando o mercado era limitado. Insistiram quando muitos desistiam. E venceram sem perder a alma.
A kizomba que trouxeram não precisava de excessos. Bastava tocar — e tocava. Tocava fundo. Tocava a alma.
A ascensão da música moçambicana
Falar de Filomena e Messias Maricoa é falar da ascensão da música moçambicana. Não de forma abstrata, mas real. Uma ascensão construída passo a passo, música a música, palco a palco. Uma ascensão que mostrou ao país — e ao mundo — que Moçambique tem artistas capazes de emocionar, representar e liderar culturalmente.
Eles não apenas fizeram carreira. Abriram caminhos.
A palavra agora é do leitor
Esta é uma história que não se encerra aqui. Pelo contrário, continua viva em cada música, em cada memória e em cada pessoa que se identificou com esse percurso.
👉E para si, leitor da Revista Celebridades:
- O que representam Filomena e Messias Maricoa para a música moçambicana?
- Em que momento a música deles tocou a sua vida?
- Acredita que a música nacional está realmente em ascensão?
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